TJMG mantém condenação de Pâmela Volp após tecnologia comprovar rota de carro usada no crime

  • 27/02/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-vereadora Pâmela Volp CMU/Divulgação O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação da ex-vereadora Pâmela Volp pelo crime de extorsão majorada contra uma garota de programa em Uberlândia. A decisão destacou o uso do sistema de rastreamento digital, chamado Córtex, como elemento técnico decisivo para comprovar a presença dela no local do crime. Ainda cabe recurso da decisão. O julgamento foi realizado pela 1ª Câmara Criminal do tribunal, que confirmou as penas de prisão fixadas em primeira instância. Os desembargadores mantiveram a pena de 7 anos de reclusão, em regime semiaberto, para Pâmela Volp, e 6 anos, também em regime semiaberto, para Paula Florentino, apontada no processo como comparsa de Volp. Apesar de a pena ter sido fixada em regime semiaberto, Pâmela Volp permanece presa desde 8 de novembro de 2021. Ela também possui outras condenações no âmbito da Operação Libertas, na qual foi apontada como líder de uma rede de exploração sexual que teria atuado por mais de três décadas. ✅ Clique aqui e siga o g1 Triângulo no WhatsApp O g1 procurou a defesa da ré, por meio da advogada Fabiane Martins, mas não houve resposta até a última atualização da reportagem. A reportagem também tenta contato com a defesa de Paula. Crime ocorreu em ponto de prostituição O crime ocorreu em novembro de 2021, quando a vítima foi abordada em ponto de prostituição no bairro Dona Zulmira. Armadas com revólver, faca e barra de ferro, Pâmela e mais duas acusadas ameaçaram a vítima de morte caso não pagasse uma “diária” de R$ 50 para trabalhar na região. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na ocasião, o ex-vereadora teria se autoproclamado “dona da cidade” e afirmou que ninguém trabalharia [nos pontos de prostituição] sem pagar em Uberlândia. Sistema Córtex confirmou rota do veículo O rastreamento do veículo utilizado pelas rés reforçou as demais provas reunidas durante a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) regional de Uberlândia. De acordo com o relator do processo, desembargador Wanderley Paiva, o sistema Córtex permitiu traçar o histórico de deslocamento de um Peugeot 3008 laranja, apontado como utilizado pelas acusadas no dia dos fatos. 🔎 O sistema Córtex é uma tecnologia estadual que utiliza os radares da cidade para mapear os veículos que passaram naquela localidade. Na época, o Gaeco requisitou informações específicas do Peugeot 3008 e, baseado no depoimento da vítima com o horário, conseguiu provar que as rés saíram da casa da Pamela e foram à região do dona Zulmira. O relatório técnico demonstrou que o veículo circulou exatamente na região onde ocorreu o crime. Ainda conforme o voto, as próprias rés admitiram que estavam juntas no carro e que percorreram a cidade na data do ocorrido, o que aumentou a credibilidade da prova indireta obtida por meio do rastreamento tecnológico. "Trata-se de elemento fundamental para o esclarecimento dos fatos, na medida em que reforça a credibilidade da prova indireta resultante do rastreamento do veículo Peugeot 3008 laranja, por meio do sistema Córtex, conforme relatório juntado aos autos. Esse rastreamento demonstrou de modo inequívoco que esse veículo transitou pelo local dos fatos na data em que ocorreu o delito sub judice", disse Paiva. Os desembargadores Edison Feital Leite e José Luiz de Moura Faleiros seguiram o voto do relator. Carro não será confiscado Apesar da manutenção das penas de prisão, a Câmara Criminal retirou a condenação ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais à vítima. O entendimento foi de que não houve discussão específica sobre o valor durante a instrução processual. Além disso, decidiu não confiscar o veículo, entendendo que ele foi utilizado apenas como meio de transporte e não como instrumento essencial do crime. De acordo com o Ministério Público, o Tribunal também considerou que o automóvel era financiado e o banco responsável o vendeu para uma terceira pessoa. Quanto ao afastamento do pagamento de indenização para a vítima, o órgão avalia recorrer da decisão. Mais de 50 anos de prisão Condenada a mais de 50 anos de prisão em processos da Operação Libertas, Volp foi presa há exatamente 4 anos, em 8 de novembro de 2021, apontada como líder de uma rede de exploração sexual que atuou por mais de três décadas, atingindo principalmente travestis e mulheres trans em situação de vulnerabilidade. Segundo a Promotoria de Justiça de Uberlândia, Volp comandava o esquema mesmo após ser eleita vereadora em 2016 pelo Partido Progressista (PP), com 1.841 votos. Ela foi a primeira mulher transexual a se eleger em Uberlândia e também a primeira parlamentar de Minas Gerais a utilizar o nome social no diploma de eleita. A Operação Libertas, conduzida pelo Gaeco em agosto de 2021, revelou que Pâmela Volp comandava uma organização criminosa interestadual que mantinha controle sobre pontos de prostituição, impunha diárias abusivas, torturava as vítimas e promovia cirurgias clandestinas para colocação de próteses mamárias. Além disso, as denúncias apontam que a ex-parlamentar montou outro esquema paralelo, após ser presa pela força-tarefa, para cometer atos de violência, extorsões e fazer 'testes de orientação sexual' na ala LGBT+ da penitenciária, forçando presos a fazerem sexo entre si. Pâmela Volp foi eleita 1ª vereadora trans de Uberlândia em 2016 CMU/Divulgação O que dizem as denúncias As vítimas relataram que eram obrigadas a pagar diárias para atuar nos pontos de prostituição controlados por Pâmela Volp. Quem se recusava, era ameaçada, coagida e até torturada. Uma das mulheres contou que Pâmela a forçava a integrar uma espécie de gangue, com a missão de agredir e extorquir outras trabalhadoras que ocupavam os pontos sem pagar as taxas exigidas. Nos alojamentos, câmeras de monitoramento foram instaladas para vigiar as vítimas. Além disso, um caderno com registros detalhados de pagamentos e despesas de cada mulher foi apreendido. A denúncia ainda rendeu uma investigação nas esferas trabalhista e federal, por trabalho análogo à escravidão. Segundo o Ministério Público, também havia um esquema clandestino e superfaturado para a colocação de próteses de silicone. As vítimas eram induzidas a contribuir com uma espécie de poupança para realizar os procedimentos em clínicas ilegais. O caso revelou ainda a participação de médicos e práticas sem anestesia ou em pós-operatório inadequado. Conversas obtidas pela investigação mostram um dos médicos negociando um “pacote de próteses” com Pâmela, a quem ele chega a chamar de “sócia”. Os médicos envolvidos firmaram acordos de colaboração e não foram denunciados. Veja galeria de fotos durante as fases da operação Libertas. Operação Libertas; FOTOS Anos de medo, ameaças e poder Para lavar o dinheiro obtido com a exploração sexual e extorsões, Pâmela Volp investiu em carros de luxo, imóveis, joias e até na construção de um mausoléu de alto padrão para a família, no cemitério de Tupaciguara, cidade a 69 quilômetros de Uberlândia. As investigações indicam que Pâmela Volp movimentava mais de R$ 20 mil por mês em cartões e mantinha um padrão de vida elevado. Esse foi um dos argumentos usados pelo Gaeco para apontar que a maior parte da renda dela vinha de atividades criminosas. O valor do patrimônio de Pâmela Volp não consta no processo, mas o g1 apurou junto aos investigadores da Operação Libertas que é de aproximadamente R$ 4 milhões. O dinheiro também era usado para impor medo às vítimas. Nos depoimentos prestados ao MP e à Justiça, elas relataram o clima de medo constante que viviam sob o comando de Pâmela Volp. "No último julgamento dela do tráfico internacional, ela arrotou para todo mundo que tinha mandado uma maleta de dinheiro para Brasília, que nunca ia ser condenada, que nunca ia ser presa, que nunca ia acontecer nada [...] para gente tipo ter medo, que ela tinha o poder. Ela tinha esse poder do dinheiro, ela sempre usou esse poder do dinheiro para ameaçar a gente", contou uma das vítimas. A vítima ainda relatou que só teve coragem de colaborar com as investigações por acreditar que, desta vez, a ex-vereadora responderia pelos crimes dentro da cadeia. "A cidade é dela, ela é dona da cidade. Era né. Porque foram anos, tipo, não sei se de judiciário, se polícia, o que foi, mas foram anos de várias pessoas sabendo dos crimes, várias pessoas convivendo com os crimes e ninguém nunca fez absolutamente nada. A gente sabe que rolava um dinheirinho, mas não sabemos para quem", finalizou a vítima. Os supostos pagamentos de propina não foram alvo de investigação. O que diz a defesa Em nota enviada ao g1, a advogada Fabiane Martins informou que Pâmela Volp se mantém firme e dedicada na missão de reverter as acusações injustas que lhe foram atribuídas. Sobre a suposta 'compra de policiais' citada na reportagem, a defesa esclareceu que o Ministério Público se baseou em depoimentos de testemunhas do sistema prisional. No entanto, essas declarações carecem de provas e não sustentaram uma denúncia formal por corrupção ativa, demonstrando a inconsistência das acusações. Por fim, alegou que a cliente acredita ser alvo de perseguição transfóbica e que a atual defesa busca corrigir os equívocos da representação anterior e reverter a situação processual da cliente. ASSISTA: 6ª fase da operação Libertas teve como alvo travestis e transexuais de Uberlândia Trabalho de travestis e transexuais é alvo da 6ª fase da Operação Libertas em Uberlândia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/02/27/tj-reconhece-rastreamento-digital-como-prova-chave-e-mantem-condenacao-de-pamela-volp-por-extorsao.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. P do Pecado

Grupo Menos É Mais, Simone Mendes

top2
2. Era Sol Que Me Faltava

Ana Castela, CountryBeat, AgroPlay

top3
3. Body Splash

Felipe Araújo e ‪Luan Pereira

top4
4. Todo Mundo Menos Eu

Hugo e Guilherme part Ana castela

top5
5. Eu Sou Sentimento

Luan Santana e Luan Pereira

Anunciantes