Pais de bebê recém-nascido agredido em MG são autuados por tentativa de homicídio; PC investiga motivação
10/07/2026
(Foto: Reprodução) Bebê é internado com sinais de violência
Os pais do bebê de 28 dias que deu entrada no Hospital Padre Júlio Maria, em Manhumirim, com diversos sinais de agressão foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (10).
Segundo a corporação, após serem conduzidos à Delegacia de Plantão, o delegado responsável ratificou a prisão em flagrante do casal pelo crime de homicídio tentado. Em seguida, os dois foram encaminhados ao sistema prisional.
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 Vales no WhatsApp
A Polícia Civil informou ainda que o caso será investigado pela delegacia responsável pela área, que dará continuidade às diligências para esclarecer todas as circunstâncias do crime.
Entre os próximos passos da investigação está a realização de exame de corpo de delito no recém-nascido por um médico-legista da Polícia Civil, responsável por documentar oficialmente as lesões apresentadas pela vítima. A perícia da corporação também esteve no hospital no dia em que o bebê foi socorrido.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação busca confirmar a autoria, a materialidade, a motivação e as circunstâncias do caso.
Bebê foi levado ao hospital por conhecida da mãe
Hospital César Leite, em Manhuaçu
João Vitor Nunes/Inter TV dos Vales
O bebê foi levado ao Hospital Padre Júlio Maria por uma conhecida da mãe, e não pelos próprios pais. As informações foram apuradas pelo g1.
Segundo a apuração, a mulher trabalhava em uma loja em Manhumirim e havia conhecido a mãe do bebê havia pouco tempo. Em uma das ocasiões em que ela passou pelo estabelecimento com o recém-nascido, foi orientada a agasalhar melhor a criança por causa do frio. Depois disso, a mãe passou a procurá-la com frequência para mostrar o bebê.
Até então a mulher nunca havia percebido sinais de violência ou qualquer situação que levantasse suspeitas de maus-tratos.
Na manhã de quarta-feira (8), a mãe chegou ao estabelecimento em estado de desespero, dizendo que o bebê estava havia cerca de um dia sem chorar e sem responder aos estímulos. A conhecida colocou mãe e filho no carro e os levou ao hospital.
No hospital, foi a própria mulher quem deu entrada com a criança.
O recém-nascido chegou em estado grave, com baixa saturação de oxigênio e pesando apenas 2,3 quilos. Após receber atendimento e suplementação de oxigênio, voltou a reagir e chorou.
Durante a avaliação médica, foram encontradas diversas lesões, entre elas uma marca de mordida em um dos pés, ferimentos nas mãos, arranhões nas costas e uma lesão na orelha com características semelhantes às de uma queimadura.
Os exames de imagem apontaram ainda fraturas no fêmur direito e no úmero esquerdo, o que levou a equipe médica a acionar imediatamente a Polícia Militar e o Conselho Tutelar.
Os pais foram presos ainda no hospital. Eles negam as agressões.
Conselho Tutelar localizou familiar
Ainda segundo as apurações do g1, o Conselho Tutelar localizou uma tia materna, moradora de Alto Jequitibá, que assumiu provisoriamente a representação legal do recém-nascido para autorizar a transferência e os procedimentos médicos necessários.
O bebê foi encaminhado para a UTI Neonatal do Hospital César Leite, em Manhuaçu, onde permanece internado. O estado de saúde dele não foi divulgado.
Família era acompanhada pelo CRAS em Manhuaçu
A reportagem também apurou que a família já era acompanhada pela rede de assistência social quando morava em Manhuaçu.
Ao g1, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) confirmou que realizou visitas domiciliares e tentou construir um plano de acompanhamento para a família. Segundo o órgão, a mãe chegou a ser orientada a matricular a filha mais velha em uma creche, recomendação que foi seguida.
No entanto, conforme o CRAS, a mulher deixou de comparecer aos atendimentos e interrompeu o acompanhamento oferecido pelo serviço.
A coordenação da creche confirmou ao g1 que a menina, então com 3 anos, frequentou a unidade.
Durante esse período, a criança apareceu com um hematoma e uma marca compatível com queimadura de cigarro. Segundo a direção da creche, inicialmente a mãe atribuiu as lesões à própria instituição. Posteriormente, mudou a versão e afirmou que o pai da menina teria encostado um cigarro na filha "sem querer".
Diante da situação, a direção informou que acionaria o Conselho Tutelar para acompanhar o caso.
Depois da conversa, a menina não retornou mais à creche.
Ainda segundo a coordenação, a mãe enviou posteriormente uma mensagem informando que havia se mudado para Manhumirim e pediu o cancelamento da matrícula da filha.
O caso
Delegacia de Manhumirim
João Vitor Nunes/Inter TV dos Vales
O bebê de 28 dias foi socorrido na quarta-feira (8) após chegar ao Hospital Padre Júlio Maria apresentando graves lesões.
Além das fraturas no braço e na perna, a criança apresentava marca de mordida, arranhões e uma lesão na orelha semelhante a uma queimadura.
Após o atendimento inicial, o recém-nascido foi transferido para a UTI Neonatal do Hospital César Leite, em Manhuaçu.
O casal permanece preso, autuado por tentativa de homicídio, enquanto a Polícia Civil dá continuidade às investigações.
LEIA TAMBÉM:
Saiba quem é o vereador preso com canetas emagrecedoras e réplica de arma na BR-262
PRF prende homem com carga de cosméticos roubada na BR-116, em Itaobim
Bar de Ipatinga é vice-campeão nacional do Comida di Buteco 2026
Vídeos do Leste e Nordeste de Minas Gerais
Veja outras notícias da região em g1 Vales de Minas Gerais.