Nas montanhas de Juruaia, o café virou prêmio e paixão

  • 22/05/2026
(Foto: Reprodução)
Produtores de cafés especiais de Juruaia mostram que as montanhas da cidade guardam muito mais do que paisagem Foto: Divulgação. Juruaia é conhecida no Brasil inteiro pela lingerie. Mas quem chega à cidade e olha para as montanhas ao redor encontra algo que existia muito antes das confecções: o café. A mesma terra que sustentou gerações de cafeicultores no Sul de Minas vive hoje uma nova história, a dos cafés especiais, grãos produzidos com técnica, cuidado e identidade de origem que conquistam paladares exigentes e chegam a consumidores em diferentes estados do país. Juruaia faz parte da região Sudoeste de Minas, que recebeu a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, tornando-se a quinta região de Minas Gerais a conquistar esse reconhecimento para o café. O selo garante a autenticidade e a qualidade dos grãos produzidos na região, abrindo caminho para novos mercados e valorizando o trabalho de produtores que, por gerações, cultivam o café nas encostas do Sul de Minas. Uma descoberta que virou missão A história de Denilson Macedo com o café especial começou quase por acidente. Em 2019, um lote produzido no seu sítio em Juruaia surpreendeu ao apresentar pontuação de bebida especial numa cooperativa da região. Curioso, ele buscou entender o porquê e fez cursos técnicos na área. É a quarta geração de cafeicultores na família, mas foi a partir de uma consultoria do Sebrae Minas, iniciada em 2021, que a qualidade dos seus grãos deu um salto definitivo. A trajetória dos anos seguintes é uma sequência de conquistas: em 2022 seu café entrou entre os 100 melhores de Minas Gerais, a propriedade foi certificada pelo Certifica Minas Café e Denilson tornou-se um dos membros fundadores da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas. Em 2023, seu café foi servido no evento de lançamento da marca Território Sudoeste de Minas. Em 2025, foi campeão do concurso de cafés especiais da rede Sicoob Crediinter, e hoje é o café servido nas agências da cooperativa aos seus cooperados. "O café tem o poder de transformar vidas. Transformou a minha, não apenas como produtor, mas como pessoa. Café é nossa paixão", resume. Tradição que encontrou seu valor A história da família Reis com o café começa em 1982, quando seu pai plantou as primeiras mudas em Juruaia. Décadas depois, Otávio Reis criou a MontCéu com uma missão clara: mostrar a qualidade do café produzido nas montanhas da cidade e levar um produto diferenciado diretamente ao consumidor. "Nossa família já produzia cafés especiais há bastante tempo, porém esses cafés acabavam sendo vendidos como commodity, sem toda a valorização que realmente tinham", explica. Hoje, a MontCéu acompanha cada etapa do processo, da lavoura à xícara. "O trabalho começa na lavoura, com manejo e acompanhamento durante o ano inteiro. Na colheita, buscamos trabalhar com frutos mais maduros, sempre com cuidado para preservar a planta para as próximas safras", conta Otávio, que realiza diferentes processos de pós-colheita para destacar o potencial de cada lote antes da torra e do empacotamento. O que faz um café especial ser especial Para quem está acostumado com o café de supermercado, a diferença começa antes mesmo da primeira xícara. Segundo Otávio, a principal distinção está no cuidado com todo o processo: colheita mais seletiva, secagem controlada e um padrão muito maior de qualidade dos grãos. "A região de Juruaia, no Sul e Sudoeste de Minas, favorece muito a produção de cafés especiais por conta da altitude, do clima e do terroir. Esses fatores contribuem para cafés mais equilibrados, doces e com melhor qualidade de bebida", afirma. Os cafés do Sudoeste de Minas são cultivados em altitudes que variam entre 700 e 1.250 metros, com temperaturas anuais entre 5°C e 28°C, condições que favorecem grãos com sabor doce, notas de caramelo, chocolate e nozes, além de acidez cítrica e corpo denso com finalização prolongada. Para Denilson, o diferencial vai além do terroir: "Meu café é produzido entre as montanhas do Sudoeste de Minas, é certificado com controle de origem e produzido através de uma cafeicultura consciente que preserva o solo e o meio ambiente. É cuidado nos mínimos detalhes para trazer notas marcantes e agradáveis ao paladar dos mais exigentes." De Juruaia para o mundo Os cafés de Juruaia já chegaram a outros estados e também ao mercado internacional. "A proximidade com a Cooperativa Cooxupé faz com que muitos cafés produzidos em Juruaia cheguem a outros estados e ao mercado internacional", explica Otávio, que tem planos de continuar investindo em processos diferenciados e aproximar cada vez mais o consumidor da origem e da história por trás de cada grão. Curiosamente, foi a Felinju que abriu as portas para Denilson dentro da própria Juruaia. Em 2023, ele participou da feira divulgando seu café e foi ali que fez os primeiros contatos com a ACIJU. "Temos clientes em diversos estados, conexões criadas a partir de clientes do setor de lingerie", conta, numa das histórias mais improváveis e genuínas que Juruaia poderia contar. Em 2024, a ACIJU convidou Denilson para ajudar a criar a ACIJU Agro, iniciativa que reconhece que a cidade tem mais para oferecer ao mundo do que as confecções de suas ruas.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/especial-publicitario/associacao-comercial-e-industrial-de-juruaia/juruaia/noticia/2026/05/22/nas-montanhas-de-juruaia-o-cafe-virou-premio-e-paixao.ghtml


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