Mandando Bem no Enem: professor explica a economia do Segundo Reinado

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
A expansão da cafeicultura e as mudanças nas relações de trabalho são eixos para estudar o Segundo Reinado. Imagem gerada por Inteligência Artificial. Compreender as relações entre a expansão do café, a escravidão, a imigração e o acesso à terra é uma das orientações para estudar o Segundo Reinado, período de 1840 a 1889, para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo Sandro, professor de História do Colégio Nacional, esses temas devem ser analisados em conjunto com as transformações sociais e políticas do Brasil imperial. “As questões se caracterizam pela exigência da leitura de fontes”, explica. Textos, charges, gráficos e imagens devem ser analisados em relação à economia, à sociedade e à política. Essa leitura ajuda a identificar relações de poder, formas de organização do trabalho e mudanças nos espaços geográficos. O café como motor da economia A expansão da cafeicultura no Vale do Paraíba e, posteriormente, no Oeste Paulista é um dos eixos destacados por Sandro. O café passou a ocupar o lugar do açúcar como principal produto de exportação, acompanhando o deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Centro-Sul. Segundo o professor, o estudo desse processo deve considerar a relação entre a riqueza cafeeira, o poder político dos chamados barões do café e a sustentação da monarquia. Também é importante observar como as lavouras se organizaram em torno de diferentes formas de mão de obra. Da escravidão ao trabalho livre Outro eixo é o processo de transição do trabalho escravizado para o trabalho livre. Sandro recomenda relacionar a pressão inglesa, expressa no Bill Aberdeen de 1845, à Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que proibiu o tráfico de africanos escravizados para o Brasil. O fim desse tráfico também deve ser associado à liberação de capitais antes empregados nessa atividade e ao tráfico interprovincial, que transferiu pessoas escravizadas do Nordeste para as lavouras cafeeiras do Sudeste. Na sequência, o professor destaca as leis do Ventre Livre, de 1871, dos Sexagenários, de 1885, e Áurea, de 1888. A orientação é compreender os limites das medidas graduais e o caráter lento e controlado do processo de abolição. Fugas, quilombos, movimentos abolicionistas e outras formas de resistência também precisam integrar a análise. Segundo Sandro, reconhecer o protagonismo das pessoas escravizadas é fundamental para compreender a atuação dos diferentes agentes envolvidos na abolição. Imigração e acesso à terra A chegada de imigrantes europeus, como italianos e alemães, e experiências como o sistema de parceria devem ser estudadas em relação às mudanças no trabalho. Para o professor, esses processos precisam ser compreendidos em sua complexidade, sem uma sequência automática entre o fim da escravidão, a imigração e a industrialização. “O Enem valoriza a complexidade e a gradualidade do processo”, ressalta. Nesse contexto, merece atenção a Lei de Terras de 1850, que estabeleceu, como regra, a compra para a aquisição de terras devolutas. Sandro relaciona essa medida às dificuldades de acesso à propriedade para imigrantes pobres e, posteriormente, para pessoas libertas, reforçando a concentração fundiária. Como interpretar as fontes Trechos de leis, relatos de viajantes, discursos parlamentares, pinturas e charges, como as de Angelo Agostini, são exemplos de fontes indicadas pelo professor. Na leitura, o estudante deve relacionar os documentos à economia cafeeira, às pressões pelo fim da escravidão e ao enfraquecimento do Império. Também vale comparar mudanças e permanências em relação à economia colonial e estabelecer conexões com Geografia e Sociologia. Concentração fundiária, migrações, urbanização, desigualdade racial e herança escravista ajudam a ampliar essa interpretação. Pontos de atenção na revisão Sandro recomenda organizar a cronologia e compreender as relações entre os acontecimentos. Entre os marcos para revisar estão a Tarifa Alves Branco, de 1844; o Bill Aberdeen, de 1845; as leis de 1850; a Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870; as leis abolicionistas de 1871, 1885 e 1888; e a Proclamação da República, de 1889. Por fim, o professor orienta relacionar a ausência de políticas de inserção dos libertos após a abolição ao debate contemporâneo sobre desigualdade racial. Essa conexão contribui para compreender como as transformações do período se relacionam com questões sociais que permanecem em discussão.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/especial-publicitario/colegio-nacional/mandando-bem-no-enem/noticia/2026/11/01/mandando-bem-no-enem-professor-explica-a-economia-do-segundo-reinado.ghtml


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