Juiz de Fora registra o fevereiro mais chuvoso da história
24/02/2026
(Foto: Reprodução) Temporal causa diversos alagamentos e assusta moradores em Juiz de Fora
Com 579,3 milímetros de precipitações nos 24 primeiros dias do mês, Juiz de Fora já registra o fevereiro mais chuvoso da história do município. Os dados são referentes ao acumulado do pluviômetro do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), instalado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Até então, conforme dados históricos do Inmet, o fevereiro com maior volume de precipitações havia sido em 1988, quando foram 456,1 milímetros. Confira no gráfico mais abaixo a quantidade de chuvas no mês de fevereiro em Juiz de Fora desde 1961, na série histórica registrada pelo Inmet.
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Na segunda-feira (23), uma forte chuva causou a morte de 16 pessoas e deixou mais de 440 desabrigadas na cidade. O volume de água fez o rio Paraibuna transbordar, fechou o Mergulhão e causou deslizamentos em vários pontos de Juiz de Fora.
Histórico do volume de chuvas no mês de fevereiro em Juiz de Fora
Frente fria causa instabilidade e alto volume de chuva durante a semana
De acordo com o meteorologista do Inmet, Lizandro Gemiacki, o avanço de uma frente fria pelo litoral da região Sudeste do Brasil no último fim de semana causou grandes áreas de instabilidade em grande parte de Minas Gerais e gerou chuvas recorrentes nos últimos cinco dias na região da Zona da Mata.
"A gente tinha um aviso meteorológico de chuvas entre 50 e 100 milímetros, mas foi realmente acima do que os modelos estavam prevendo. Então, a gente teve essas áreas de instabilidade junto com a condição local de chuvas recorrentes, que já tem acumulados de chuva muito altos ao longo de todo o mês, o que impactou grandemente aí na cidade", afirmou.
Ele ainda alertou para mais chuvas volumosas até sexta-feira (27) na região. "Toda a região da Zona da Mata, Leste de Minas, Rio Doce e a divisa com o Rio de Janeiro está com aviso vermelho. Então, pelo menos até sexta-feira, tem previsão de muita chuva, com acumulados acima de 100 milímetros em 24 horas. Então, orientamos redobrar os cuidados nesses locais que já estão tendo problemas e sempre procurar um local seguro quando começarem as chuvas mais intensas."
Relevo da região favorece chuvas mais forte e problemas de acúmulo
Conforme o meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Giovanni Dolif, o relevo da região de Juiz de Fora favorece a formação de nuvens mais carregadas.
"E o próprio relevo acidentado, o solo, a superfície inclinada, favorece a descida de terra, de detritos, água com grande velocidade, e aí a rede de drenagem da cidade não dá conta de dar vazão para tudo isso. E aí tem os alagamentos, tem represamento da água. Então junta toda essa lama, essa sujeira, esses detritos, com a água causando os impactos que a gente viu", explicou.
Segundo ele, a combinação entre chuva forte e vulnerabilidade do relevo do município, além da existência de áreas de risco, geram alagamentos, desmoronamentos e outros problemas na cidade.
"Desde o início de fevereiro já foram mais de 500 milímetros. Então, não são só quase 200 milímetros de ontem para hoje. Já tinha no solo, nos rios, um grande volume de chuva que tem acontecido, principalmente a partir de meados de janeiro."
⛈ Chuva 27% acima da média histórica
Somente até o dia 24, o volume de chuva era 27% maior em comparação ao último fevereiro mais chuvoso e quase três vezes acima da média do Inmet para o segundo mês do ano, que é de 170,3 milímetros.
Levando em consideração somente as chuvas de 1º janeiro e até o dia 24 de fevereiro de 2026, foram 763,4 milímetros.
Queda de um barranco atinge prédio e casas em Juiz de Fora, nesta segunda-feira (23)
Luiza Sudré/g1
🔎 Como é feita a aferição do Inmet e do Cemaden
O volume de chuva contabilizado pelo Inmet leva em conta o somatório de precipitações registradas somente no Campus da UFJF, onde estão instalados os equipamentos do 5º Distrito de Meteorologia.
Outras estações não vinculadas ao Inmet estão espalhadas pela cidade, como os pluviômetros do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em funcionamento em vários bairros.
Com isso, muitas vezes o volume de chuva contabilizado pelo Inmet difere do registrado pelo Cemaden, já que as pancadas podem ter intensidade diferente no São Pedro e nos demais pontos da cidade.
No caso do Cemaden, lançado em 2011, os dados são de curto prazo, para fins de monitoramento e emissão de alertas de riscos de desastres, sem cálculo de média histórica.
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