Idoso com alergia à dipirona morre no HPS; família mostra prontuário com prescrição e aplicação do remédio mesmo com alerta

  • 29/05/2026
(Foto: Reprodução)
Raimundo Evangelista de Almeida morreu em Juiz de Fora Arquivo pessoal A família do aposentado Raimundo Evangelista de Almeida, de 69 anos, registrou um boletim de ocorrência alegando possível negligência de profissionais de saúde do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora. Segundo os familiares, o paciente teria recebido uma dose intravenosa de dipirona, apesar de possuir alergia ao medicamento. Partes do prontuário médico de Raimundo foram enviados pela família ao g1 e mostram que havia um registro de intolerância do idoso à dipirona (foto abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Parte do prontuário indica que Raimundo tinha alergia a dipirona; ele morreu no HPS de Juiz de Fora g1 Em outro trecho do prontuário, com as orientações para o domingo (24), há a prescrição de “dipirona 1g” a cada seis horas (foto abaixo). Dipirona aparece na lista de remédios prescritos para Raimundo no HPS de Juiz de Fora g1 Já no documento "Evolução de enfermagem", há o relato de que às 21h30 daquele mesmo dia foi “administrado dipirona 1g via endovenosa, conforme prescrição médica, após administração paciente apresentou mal súbito” (foto abaixo). Segundo a filha, Tainá Ribeiro, o pai começou a se sentir mal logo depois de receber a injeção. Prontuário indica que Raimundo tomou dipirona de 1g e teve mal súbito no HPS de Juiz de Fora g1 Tainá afirma que a família avisou à equipe médica que ele tinha alergia à dipirona. A informação, além de constar na ficha de cadastro do paciente no HPS, consta também em aviso afixado no leito de Raimundo (foto abaixo). Placa no leito de Raimundo Evangelista de Almeida indicava que ele era intolerante a dipirona Arquivo pessoal A Prefeitura informou que a direção do HPS ficou consternada e que abriu procedimento administrativo para apurar o acontecimento. A Polícia Civil também abriu investigação sobre o caso. A apuração é conduzida pela 1ª Delegacia, sob responsabilidade do delegado Luciano Vidal. Idoso era saudável e só tinha pressão alta, diz família Raimundo deu entrada no HPS após ser atropelado na rua José Lourenço, no bairro Borboleta, no sábado (23). “Ele já tinha voltado a comer comida pastosa. Só não tinha recebido alta por causa de dor na coluna e no tornozelo”, explicou Tainá, que estava acompanhando o pai no domingo. Tainá se recorda que o pai estava bem e que a ida dele à UTI, com aviso da morte horas depois, abalou a família. “Me ligaram no dia seguinte, disseram que ele veio a óbito e que eu precisava das documentações dele para levar lá. Me deram os sentimentos e só falaram isso, sem muitas explicações”, lembrou. Após o caso, a família procurou a Secretaria de Saúde e a polícia para registrar a ocorrência. “Fomos na Secretaria de Saúde pedir para entrar com a denúncia, nos disseram que o caso havia sido informado à chefia do HPS e que eles estavam reunindo informações para uma investigação”. O prontuário só foi fornecido aos familiares na quinta-feira (28). “No prontuário tem as duas informações: de que ele não podia tomar dipirona e que era alérgico e também receitando dipirona de seis em seis horas. Ele não podia ter recebido aquela injeção". Ela cobrou rigor na investigação. “Pegaram nosso número de telefone, disseram que vão nos ligar. A gente tá aguardando”. Histórico de alergias Conforme a filha de Raimundo, todos os familiares sabiam da alergia que ele tinha ao medicamento. Logo após ser socorrido no acidente de trânsito, ainda no local do atropelamento, a equipe de resgate foi avisada, segundo ela. Informação que também foi repassada ao profissional de triagem no HPS. “Ele nunca teve crise grave, pois a gente sempre avisava [nos atendimentos médicos]. Minha irmã falou na triagem, falou para outro médico também, deixamos bem claro que ele tinha alergia”. Segundo ela, Raimundo não tinha comorbidades. O único tratamento que estava fazendo era para controle da pressão arterial. Raimundo Evangelista de Almeida com a filha Tainá Arquivo pessoal A filha se recorda de outro momento em que o pai, mesmo com contato mínimo com a dipirona, se sentiu mal. “Meu pai sempre teve alergia a dipirona. Teve uma vez que minha mãe tomou uma dipirona num copo, não lavou o copo direito e ele tomou café por cima. Logo depois ele começou a tremer muito e passar mal. Desde então, sempre que ele ia ao médico, a gente falava”, explicou. O corpo dele foi sepultado na segunda-feira, no Cemitério Municipal. No atestado de óbito consta “causa indeterminada (aguardando exames)". "A gente quer respostas e entender o que aconteceu", cobrou Tainá. LEIA TAMBÉM Família de idosa que morreu em MG denuncia negligência do hospital Família de motociclista que morreu no HPS alega negligência no atendimento ASSISTA: MG1 Responde: Dia Mundial da Alergia MG1 Responde: Dia Mundial da Alergia VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campo das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/05/29/idoso-com-alergia-a-dipirona-morre-no-hps-familia-mostra-prontuario-com-prescricao-e-aplicacao-do-remedio-mesmo-com-alerta.ghtml


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