'Finanças de MG estão em ruínas' e quem vencer eleições no estado 'terá que cortar gastos drasticamente', diz 'The Economist'
16/06/2026
(Foto: Reprodução) Artigo publicado pela revista britânica 'The Economist' aponta o que Minas Gerais representa para o resultado das eleições no Brasil e traça um panorama da economia do estado
Reprodução/The Economist
A revista britânica "The Economist" publicou uma reportagem nesta terça-feira (16) afirmando que as finanças de Minas Gerais estão "em ruínas" e que o próximo governador "terá que cortar gastos drasticamente". O texto analisa a situação política e econômica mineira, argumentando que MG pode servir de "espelho" e ajudar a entender o que vem pela frente no Brasil.
O artigo destaca que o estado é o segundo mais populoso do país, com cerca de 21 milhões de habitantes, e tem características que refletem a diversidade geográfica e social brasileira. Por isso, costuma ser decisivo nas eleições presidenciais desde a redemocratização.
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A publicação reforça que nenhum candidato venceu a disputa pelo Palácio do Planalto desde 1989 sem ganhar também em Minas. Além de citar o endividamento do governo mineiro, a revista menciona problemas de infraestrutura, falta de investimento e polarização política em MG como retrato dos principais desafios do Brasil (leia mais abaixo).
O g1 procurou o Executivo estadual para um posicionamento sobre os pontos levantados no artigo do "The Economist", mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
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Dívida alta e cortes inevitáveis
O principal alerta da publicação trata da situação das contas públicas do estado. De acordo com a "The Economist", o problema é causado, sobretudo, pelo acúmulo de despesas com aposentadorias sem financiamento adequado. Além disso, o peso dos juros da dívida limita investimentos e gastos discricionários, que são aqueles não obrigatórios.
Conforme a reportagem, durante a gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo), Minas não contraiu novas dívidas com o governo federal e conseguiu registrar superávits primários desde 2021. Mesmo assim, o endividamento elevado continua sendo um obstáculo.
"É uma loucura assumir essa bagunça", disse João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ouvido pela revista. "Quem assumir não terá margem de manobra".
A conclusão da publicação é que qualquer candidato eleito no estado terá que promover cortes profundos, uma medida impopular e que pode custar votos. A revista faz um paralelo com o cenário nacional e afirma que o próximo presidente também enfrentará restrições fiscais semelhantes.
Problemas infraestruturais e falta de investimento
A reportagem também aponta que as limitações fiscais têm impacto direto na infraestrutura e no desenvolvimento econômico de Minas Gerais.
Segundo a revista, as rodovias mineiras estão em más condições e concentram 13% dos acidentes de trânsito do país. Ao mesmo tempo, MG responde por cerca de 40% da produção mineral brasileira, com destaque para minério de ferro, estanho, grafite e nióbio, e concentra terras raras no Sudoeste.
Apesar disso, economistas ouvidos pela publicação criticam o fato de o estado ainda exportar basicamente matéria-prima, sem agregar valor aos produtos.
"Não precisamos ser condenados à pobreza para sempre", afirmou Marco Crocco, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Não podemos passar da extração de lítio à fabricação de baterias em um dia. Mas precisamos melhorar nossa educação e infraestrutura, investir em pesquisa e desenvolvimento e reduzir os riscos do financiamento privado".
Disputa intensa e fragmentação política
Na política, o texto descreve Minas como o principal campo de batalha eleitoral do país.
Segundo a "The Economist", o presidente Lula (PT) tem dado atenção especial ao estado, onde fez diversas visitas recentes. Nomes da direita também disputam espaço, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que ganhou destaque nos últimos anos pelas redes sociais.
Outro nome citado é o de Romeu Zema, que deixou o governo estadual para disputar a Presidência da República e tem defendido uma agenda liberal.
Para a revista, o cenário aponta para uma direita fortalecida após uma eventual saída de Lula da política, enquanto o Partido dos Trabalhadores pode perder força nos próximos anos.
'Espelho do Brasil'
A análise da "The Economist" é que MG reúne, em um único estado, os principais desafios do Brasil: dívida alta, baixo investimento, dependência de commodities e polarização política.
Para a revista, o que acontecer em Minas pode antecipar o futuro do país — tanto na economia quanto na disputa pelo poder.
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