Do projeto inovador à estrutura abandonada: entenda a história do monotrilho que deverá ser demolido em MG

  • 20/09/2026
(Foto: Reprodução)
Monotrilho de Poços de Caldas terá parte demolida após mais de 20 anos sem uso Levar Poços de Caldas (MG) ao futuro por meio de trilhos suspensos. Esse era o objetivo da proposta de instalar um monotrilho na cidade, nos anos 1980. O sistema de transporte inovador, com potencial turístico, que deveria cortar as principais áreas da cidade, passando por diversos pontos históricos e turísticos, demorou 20 anos para ser construído, funcionou poucas vezes e está há 23 anos desativado, com a estrutura deteriorada. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Na quarta-feira (16), a Prefeitura de Poços de Caldas anunciou que uma parte da estrutura deverá ser demolida até 31 de dezembro de 2028. A medida integra um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, que passou a vigorar em 28 de outubro de 2025 e deverá ser concluído até 2032. A informação foi divulgada durante uma audiência pública realizada na Câmara Municipal para discutir o cenário técnico, urbanístico e estrutural em torno do monotrilho e buscar uma solução definitiva para a estrutura que está desativada desde os anos 2000. De inovação à cicatriz Monotrilho de Poços de Caldas (MG) Júlia Reis/g1 Quando lançado, o monotrilho de Poços de Caldas foi um projeto que empolgou administradores da cidade e a população. Hoje é chamado por muitos de "grande cicatriz" que corta a principal região de Poços de Caldas. Não houve tempo para a cidade apreciar o monotrilho. Pouquíssimos poços-caldenses chegaram a andar no sistema. As viagens foram escassas, em sua maioria feitas para testes, transportando autoridades, jornalistas e turistas, e tiveram fim logo após a inauguração oficial, em 2000, quando a composição descarrilhou e 19 pessoas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Após o incidente, o projeto foi paralisado. Em 2003, parte da estrutura desativada desmoronou, soterrando de vez os planos de uma mobilidade revolucionária e futurística em Poços de Caldas. Trecho de monotrilho vai ser demolido em Poços de Caldas Com a definição do futuro do monotrilho de Poços de Caldas, o g1 preparou uma série de 10 perguntas para entender o que foi esse projeto inovador e como será o seu fim, mais de 40 anos após sua concepção: Quando o monotrilho foi construído? Qual a extensão e a proposta do monotrilho? Por que o monotrilho foi desativado? Quem é responsável pelo monotrilho? Por que o Ministério Público interveio no monotrilho? O monotrilho corre o risco de desabar? O monotrilho poderia voltar a funcionar? O monotrilho vai ser demolido? Como será a demolição do monotrilho? 10. O que irá acontecer com a estrutura restante? Monotrilho de Poços de Caldas Reprodução EPTV 1. Quando o monotrilho foi construído? A Câmara Municipal aprovou por unanimidade a construção do monotrilho em agosto de 1981, e o contrato com a empresa J. Ferreira Ltda. foi assinado meses depois. A proposta inicial previa que a empresa custeasse a construção e administrasse o sistema por 50 anos. O sistema foi inaugurado oficialmente em agosto de 2000, mas nunca chegou a operar comercialmente. 2. Qual a extensão e a proposta do monotrilho? O equipamento foi pensado principalmente como atração turística. A proposta era ligar diferentes pontos da cidade por uma estrutura elevada. O projeto inicial previa mais de 30 quilômetros de trajeto, contemplava atrações turísticas como a represa Bortolan e a Cascata das Antas. Ao final, foram construídos 4,3 quilômetros, entre o Terminal de Linhas Urbanas e a rodoviária. 3. Por que o monotrilho foi desativado? O sistema apresentou problemas desde os primeiros testes. Em setembro de 2000, um mês após a inauguração oficial, o trem descarrilou e 19 pessoas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Três anos depois, duas pilastras caíram e cerca de 50 metros da estrutura desabaram, tornando o funcionamento do monotrilho impraticável. Parte da estrutura do monotrilho de Poços de Caldas caiu em 2003 Reprodução/EPTV 4. Quem é responsável pelo monotrilho? A empresa J. Ferreira Ltda. propôs o projeto, foi responsável pela sua construção e tinha a concessão do sistema. Em 29 de janeiro de 2019, a companhia renunciou ao contrato sem qualquer tipo de indenização, e a estrutura passou ao município. Desde então, a prefeitura solicitou avaliações técnicas para verificar as condições do monotrilho, passou a estudar possibilidades para o futuro do equipamento e buscou empresas interessadas em assumir a operação, mas sem sucesso. 5. Por que o Ministério Público interveio no monotrilho? O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um inquérito civil em 19 de maio de 2010 para apurar as irregularidades e a situação de abandono do monotrilho de Poços de Caldas. A investigação tramitou na comarca sob o escopo de Patrimônio Público, Habitação e Urbanismo, tendo como representada a prefeitura municipal. O órgão sugeriu um TAC com obrigações tanto para a empresa quanto para a prefeitura, mas não se chegou a um acordo. Em 2021, teve início o Procedimento Administrativo relativo à estrutura do monotrilho para apurar as medidas adotadas e as que ainda seriam tomadas pela prefeitura após passar a se responsabilizar pela estrutura em 2019. O procedimento deu origem ao TAC que passou a vigorar em 28 de outubro de 2025. Ficou estipulado que o destino da estrutura será a implantação do projeto de parque linear elevado (High Line) ou a sua demolição integral. 6. O monotrilho corre o risco de desabar? Em 2021, o MP recomendou ao município a realização de uma análise técnica para atestar a existência ou não de risco de desabamento. Em novembro daquele ano, foi apresentado laudo de vistoria técnica que concluiu, de forma sucinta, pela inexistência de risco iminente de colapso naquele momento, embora fossem necessárias obras no local para garantir a segurança dos cidadãos. Mesmo com o laudo, o MP preocupado com a segurança dos pedestres e motoristas que circulam ao longo da estrutura, requisitou uma nova perícia ao Centro de Apoio Técnico (CEAT) do Ministério Público de Minas Gerais, realizada em 26 de janeiro de 2022. O Parecer Técnico de Engenharia do CEAT, entregue em junho de 2022, também atestou que não havia perigo de colapso, desde que fossem realizadas intervenções corretivas. 7. O monotrilho poderia voltar a funcionar? A possibilidade foi considerada e estudada ao longo dos anos pela prefeitura, que buscou, sem sucesso, parceiros para sua revitalização. Os laudos técnicos, embora apontassem que a estrutura não apresenta risco de colapso, identificaram fissuras em pilares e vigas, corrosão de armaduras, desplacamento de concreto e mofo, indicativos da necessidade de diversos reparos e reforços antes de uma eventual operação. Também foram recomendadas intervenções em vigas e fundações. Um levantamento feito pela prefeitura na época estimou em R$ 14 milhões o custo das obras e intervenções necessárias para a revitalização da estrutura. Em 25 de março de 2025, a Administração Municipal informou ao MP que a utilização da estrutura em seu formato original seria economicamente inviável, em razão do custo, e apresentou a alternativa de construir um High Line. Trilhos do monotrilho de Poços de Caldas Camilla Resende/G1 8. O monotrilho de Poços de Caldas vai ser demolido? Sim, segundo a prefeitura, a demolição está prevista em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público. O prazo é até 31 de dezembro de 2028. O acordo contempla o trecho entre o Terminal de Linhas Urbanas e o Museu Histórico e Geográfico, que concentra bens tombados, como o Palace Casino, o antigo prédio da prefeitura, a Urca e o museu. O custo estimado para a retirada de vigas era de cerca de R$ 10 milhões em estimativas passadas, mas o valor exato atual da demolição do trecho central ainda será definido por meio de um processo de licitação. 9. Como será a demolição do monotrilho? O trecho a ser demolido corresponde a cerca de um quilômetro da extensão dos trilhos. A Secretaria de Obras de Poços de Caldas informou que está realizando estudos para averiguação de custos e estabelecimento da fonte de recursos para a demolição, que tem suas complexidades. A estrutura segue ao lado de vias importantes para a mobilidade entre as regiões da cidade e passa por construções sensíveis, como patrimônio histórico tombado e a sede do teleférico. 10. O que irá acontecer com a estrutura restante? Não há definição para o restante da estrutura, que ainda terá o futuro discutido. Conforme o TAC assinado, as alternativas são demolição ou revitalização com implantação de High Line. O prazo máximo para a conclusão de toda a obra referente ao monotrilho é até fevereiro de 2032. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/09/20/do-projeto-inovador-a-estrutura-abandonada-entenda-a-historia-do-monotrilho-que-devera-ser-demolido-em-mg.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. P do Pecado

Grupo Menos É Mais, Simone Mendes

top2
2. Era Sol Que Me Faltava

Ana Castela, CountryBeat, AgroPlay

top3
3. Body Splash

Felipe Araújo e ‪Luan Pereira

top4
4. Todo Mundo Menos Eu

Hugo e Guilherme part Ana castela

top5
5. Eu Sou Sentimento

Luan Santana e Luan Pereira

Anunciantes