Como fraudes em acesso a sistemas do Judiciário permitiram soltura de presos e liberdade de 'Dama do Crime'

  • 15/01/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia prende no Rio hacker que fraudou o próprio alvará de soltura Duas prisões realizadas nos últimos dias expuseram fragilidades em sistemas do poder judiciário. Nesta quarta-feira (14), a Polícia Civil de MG capturou o líder de uma organização criminosa que emitia alvarás de soltura de forma fraudulenta. Na terça-feira (13), tinha sido a vez da prisão de Anne Cristina Casaes, conhecida como "Dama do Crime", que passou meses foragida devido a uma fraude no sistema que emite mandados de prisão. Mas como as fraudes beneficiaram os criminosos? Organização criminosas acessava sistema do Judiciário Ricardo Lopes de Araujo, que foi preso nesta quarta-feira, é apontado pela Polícia Civil como líder de uma organização criminosa especializada em acessar de forma ilegal o sistema do Judiciário. Ele e outros 10 suspeitos foram presos no dia 10 de dezembro durante uma operação da instituição. De acordo com as investigações, os criminosos usavam credenciais, ou seja, logins e senhas, de juízes para acessar o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além da emissão fraudulenta de alvarás de soltura, eles são investigados por: alteração de mandados de prisão desbloqueio de valores retidos pela Justiça liberação de veículos apreendidos A organização criminosa teria obtido lucro de R$ 40 milhões com as fraudes. "Eles entravam nos sistemas informatizados do poder judiciário e lá inseriam dados com senhas de magistrados e através disso conseguiam alvarás de soltura, liberação de automóveis, liberação de valores", explicou o delegado Marcus Vinícius Lobo, chefe da divisão especializada operacional do Departamento de Operações Especiais (Deoesp). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp No dia 20 de dezembro, Ricardo Araujo deixou o Ceresp Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, onde estava preso, pela porta da frente, com um alvará de soltura emitido de forma fraudulenta. Na ocasião, outros três criminosos deixaram a prisão da mesma forma. Somente um deles tinha sido recapturado no dia seguinte. Na época, o CNJ afirmou que não houve invasão ou falha estrutural em seus sistemas. Segundo o órgão, ocorreu, na verdade, o uso fraudulento de credenciais verdadeiras, e todas as decisões falsas foram identificadas e canceladas em menos de 24 horas. O CNJ apontou, ainda, que não foi identificado qualquer indício de falha sistêmica ou do envolvimento funcional de servidores. 'Dama do Crime' Anne Casaes, identificada como a Dama do Crime. Arquivo Pessoal A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro prendeu Anne Cristina Casaes, conhecida como "Dama do Crime", em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, na terça-feira (13). Ela já tinha sido presa e colocada em liberdade em seguida, mas depois passou a constar como foragida. Segundo a Agência Central de Inteligência (AGCI) de Minas Gerais, uma fraude no sistema do CNJ fez com que a "Dama do Crime" constasse como presa mesmo estando em liberdade, o que permitiu a ela ficar meses foragida. Ainda conforme a pasta, o registro indevido do mandado de prisão só foi possível com o uso irregular de credenciais funcionais de um servidor do sistema prisional mineiro. O governo do estado não deu detalhes sobre como os acessos foram obtidos indevidamente. Anne Cristina é apontada como uma das principais articuladoras do Comando Vermelho. Segundo as investigações, ela exercia um papel estratégico dentro da facção, sendo responsável por manter a comunicação entre diferentes estados. Em julho de 2025, Anne foi detida em Belo Horizonte durante uma operação contra lavagem de dinheiro e articulação criminosa, mas foi solta no mesmo dia por ser mãe de uma criança que estava acamada. Sobre a fraude que envolveu a liberdade de Anne, o CNJ afirmou que o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisão possui camadas de segurança e autenticação, mas que, em situações de comprometimento integral das credenciais institucionais de usuários, acessos podem ser utilizados de forma ilícita, sem que isso caracterize invasão ou falha do sistema. O CNJ informou também que acompanha e registra esses episódios e adota medidas contínuas de monitoramento, rastreabilidade e aprimoramento da segurança dos sistemas. LEIA TAMBÉM: 'Dama do Crime' é presa no RJ após fraudar sistema da Justiça e ficar foragida Hacker que fraudou alvarás de soltura e fugiu de presídio em BH com outros detentos é preso no Rio Para especialista, sistema do Judiciário precisa de investimento Na avaliação do advogado especialista em direito digital e professor Dierle Nunes, o sistema de dados da Justiça brasileira é robusto, mas precisa de investimentos constantes em tecnologia e em treinamento dos servidores envolvidos. "O sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é bem rígido, é um sistema adequado, mas obviamente ele precisa ser cada vez mais sofisticado. [É preciso] ampliar a governança do seu uso, ampliar o investimento e o treinamento das pessoas para, inclusive, inibir que esses ataques obtenham êxito, porque eles continuarão ocorrendo e vão ficar cada vez mais sofisticados", afirmou. Vídeos mais vistos do g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/01/15/como-fraudes-em-acesso-a-sistemas-do-judiciario-permitiram-soltura-de-presos-e-liberdade-de-dama-do-crime.ghtml


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